Chuva no RS foi excessiva em janeiro e irregular em fevereiro


Por:   Anderson Haas Poersch – Meteorologista da Equipe SimulArroz

Figura 1- Precipitação durante a primeira quinzena (A) e a segunda quinzena (B) do mês de janeiro de 2019 no estado do Rio Grande do Sul. Fonte dos dados: INMET. Imagens: Anderson Haas Poersch

No mês de janeiro tivemos acumulados considerados extraordinários de precipitação na parte sul do estado do Rio Grande do Sul. Na primeira quinzena os maiores acumulados de precipitação ocorreram nas regiões sul e extremo oeste do estado, com valores superiores a 400 mm. Já nas regiões norte, noroeste e nordeste os acumulados foram inferiores a 150 mm, sendo que no nordeste do estado os acumulados foram inferiores a 50 mm (Figura 1A). Na segunda quinzena do mês de janeiro (Figura 1B) os valores diminuíram em praticamente todas as áreas do estado, com os maiores acumulados (acima de 150 mm) ainda concentrados no extremo oeste do estado. Os menores acumulados ficaram no extremo sul e norte do estado com valores inferiores a 100 mm.

Figura 2- Normal Climatológica (A) e Precipitação Acumulada (B) no mês de janeiro de 2019 no estado do Rio Grande do Sul. Fonte dos dados: INMET. Imagens: Anderson Haas Poersch

A Normal climatológica da precipitação para o mês de janeiro no estado do Rio Grande do Sul é superior de 100 mm em boa parte do estado, com destaque para a região central, parte do norte e nordeste que tem locais com normal climatológica superior a 150 mm (Figura 2A). A Normal climatológica diminui em direção ao extremo sul do estado onde é inferior a 100 mm. A precipitação acumulada do mês de janeiro (Figura 2B) apresentou altíssimos valores de precipitação, nas regiões sul, campanha e fronteira oeste do estado, com valores superiores a 500 mm, sendo que em alguns locais aconteceram acumulados próximos a 700 mm. Já nas regiões norte e nordeste do estado foram registrados os volumes mais baixos de chuva, sendo que em muitos locais o acumulado nesse período foi inferior aos 150 mm. Podemos caracterizar o mês de janeiro com precipitação muito acima da normal climatológica nas regiões sul, campanha e extremo oeste do estado, com anomalias positivas de precipitação próximas ou até superiores de 400 mm em muitas dessas áreas. Poucos locais do estado como pontos do norte e nordeste apresentaram anomalia negativa de precipitação, ou seja, chuva abaixo do esperado, com anomalias negativas próximas a 50 mm.

O mês de janeiro foi marcado por altos acumulados de precipitação na parte oeste do estado do Rio Grande do Sul, ocasionado por bloqueio atmosférico no centro do pais, favorecendo a manutenção de umidade nessas areas. Essas chuvas em altos volumes e em curto espaço de tempo causaram perdas no campo, e rios e lagos transbordaram atingindo casas e causando que varias famílias ficassem desabrigados em alguns municipios.

Figura 3- Precipitação durante a primeira quinzena (A) e a segunda quinzena (B) do mês de fevereiro de 2019 no estado do Rio Grande do Sul. Fonte dos dados: INMET. Imagens: Anderson Haas Poersch

No mês de fevereiro tivemos acumulados distintos de precipitação considerando parte sul e norte do estado do Rio Grande do Sul. Na primeira quinzena os maiores acumulados de precipitação ocorreram nas regiões norte e noroeste do estado, com valores superiores aos 75 mm. Já na região sul os acumulados foram inferiores a 50 mm, sendo que no extremo sul do estado os acumulados foram inferiores a 25 mm (Figura 3A). Na segunda quinzena do mês de fevereiro (Figura 3B) os maiores valores ficaram restritos ao norte e noroeste do estado, com valores superiores a 75 mm nessa quinzena. Os menores acumulados ficaram nas regiões sul, central e leste do estado com valores inferiores a 50 mm.

Figura 4- Normal Climatológica (A) e Precipitação Acumulada (B) no mês de fevereiro de 2019 no estado do Rio Grande do Sul. Fonte dos dados: INMET. Imagens: Anderson Haas Poersch

A Normal climatológica da precipitação para o mês de fevereiro no estado do Rio Grande do Sul é superior de 100 mm em todo estado (Figura 4A). A precipitação acumulada do mês de fevereiro (Figura 4B) não foi bem distribuída. As regiões Sul, Campanha e Fronteira Oeste do estado foram as que tiveram os menores acumulados, sendo inferiores a 75 mm. Já nas regiões norte e noroeste do estado foram registrados os volumes mais altos de chuva, com valores superiores aos 150 mm, sendo que em alguns locais o acumulado nesse período foi próximo aos 200 mm. Podemos caracterizar o mês de fevereiro com precipitação irregular sobre o estado, com anomalias negativas de precipitação próximas ou até superiores de 75 mm em muitas áreas das regiões Sul, Centro, Campanha e extremo oeste do estado. As regiões norte e noroeste do estado apresentaram anomalia positiva de precipitação, ou seja, chuva acima do esperado, com anomalias positivas próximas a 50 mm.

Colheita de soja iniciou no RS com boas produtividades. Foto: Granja Lovato, Cachoeira do Sul/RS

Para as culturas de grãos de verão no RS, a alta precipitação na Fronteira Oeste no mês de janeiro causou perdas de lavouras de arroz por inundação devido a enchentes de rios e nas lavouras que não sofreram enchentes, houve redução de potencial de produtividade do arroz. Resultados de experimentos em lavouras realizadas pela Equipe SimulArroz em parceria com o IRGA conduzidos em diversos locais do RS apontam que cada dia nublado durante o mês de janeiro este ano causou redução de até 2 sacos/ha (saca de arroz pesa 50 kg), pois a redução de radiação solar em janeiro aconteceu quando a maioria das lavouras gaúchas estavam na fase de desenvolvimento mais sensível a falta de luz solar do arroz, que é a fase reprodutiva (da diferenciação da panícula até a floração) e a fase de enchimento de grãos (da floração até a maturidade fisiológica).

Para a cultura da soja, os meses de janeiro e fevereiro foram muito bons em termos de fornecimento de água pela chuva. A maior parte da produção de soja no RS concentra-se na metade norte do RS, e nos dois meses a chuva foi suficiente para atender a demanda hídrica da cultura. A colheita da soja está em andamento e os primeiros dados indicam que a produção será muito boa, embora muitas lavouras ainda estão na fase final de enchimento de grãos e a quantidade de radiação solar durante o restante do mês de março irá definir a produtividade na reta final destas lavouras.

Foto de Capa: Estevão Mezzomo, Restinga Seca/RS.